A ilha de Djerba, palco de fábulas e histórias do mundo, já pertenceu aos fenícios, romanos e cartagineses. Ulisses, um dos heróis da Guerra de Tróia, passou por ali no seu caminho para casa. Conta a fábula que Djerba abrigava os comedores de Frutas de Lótus, uma maravilha que também era chamada de fruta do esquecimento e do êxtase, mas que nunca foi encontrada na ilha. Djerba tornou-se terra prometida e da fartura, e hoje, é terra do turismo.
Djerba tem raízes nos povos berberes. Sua história cheia de conquistas justifica a miscigenação de idiomas e culturas que encontra-se na ilha. Sabores, cores e cheiros formam Houmt Souk, região principal de Djerba – adornado com mercados às manhãs, mesquitas, artesanato e ruelas estreitas, além das típicas casas brancas com portas azuis vibrantes. Frutas exóticas, especiarias e produtos manufaturados e típicos da região é o que não falta. O mercado de Midoun, que realiza-se às quintas e sextas, é uma boa dica para quem está em Houmt Souk.
Para quem conhece a cerâmica tradicional e gosta, pode ir ao vilarejo de Guellala, que é praticamente um atelier ao ar livre. Ali, parece que todas as habitações fabricam a tal em fornos. No alto da colina do vilarejo encontra-se um museu que vale a pena ser visitado, pois os costumes e tradições locais podem ser melhor entendidos.
Aos apaixonados por história, um passeio pelas estradas construídas por romanos em direção a Borj Kastil – um antigo forte – dá uma noção da mistura dos povos que constituíram Djerba. Além disso, vestígios romanos em Meninx podem ser visitadas.
E claro – não se pode ir à Djerba sem visitar a sinagoga El Ghriba, a alguns km ao sul de Houmt Souk. Seu interior é enfeitado com mosaicos e arcos que relembram o estilo arquitectônico de uma mesquita. Se ainda tiver paciência, pode procurar pela mesquita subterrânea. Ela encontra-se perto de Sedouikech, no caminho a El Kantara. Um pouco difícil de achá-la, pois não há sinalização.
Com o calor e caminhadas ao sol, a exaustão começa a aparecer ao final do dia. Mas mesmo assim, sentar-se em um café e observar Djerba cobrir-se com o pôr-do-sol é, no mínimo, hipnótico. O mundo pára. Compreende-se então o significado da tal Fruta de Lótus.
